sexta-feira, 7 de novembro de 2014

desistindo devagarzinho

"Quando a gente começa a entender que precisa fazer parte do sonho do outro, assim como ele faz parte dos nossos, compreende que amor é um ato de fé. Uma prece às escuras, sem saber direito se existe alguém do outro lado contabilizando toda aquela devoção. Amor é um caminho, que como toda travessia a dois, precisa ser olhado em conjunto que é para se ter certeza de que os anseios se encontram e que nenhuma individualidade permanece prejudicada.
(...)
Eu era a própria desistência buscando abrigo dentro da palavra amor."

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

larga a mão de ser criança!

Tatá era uma criança muito pensativa, entediada e sofria da pior síndrome psicológica que uma criança pode sofrer: não se sentia desse planeta.
Ela fazia todo mundo rir com suas danças esdrúxulas, suas caretas bizarras e seu raciocínio incomum, mas por dentro ela sabia que todo mundo ria e ia embora, logo ela estaria de volta ao seu solitário e chato planetinha neurose.
Um dia, quando Tatá tinha lá pelos seus sete anos, eu sentei com ela na escada vermelha da casa da nossa avó e prometi, acreditando na promessa: calma garotinha pálida de perninhas tortas, um dia você vai viver uma vida de cinema, um dia todos os dias serão incríveis, todas as comidas serão de chefs renomados (desde aquele tempo eu já era metida), todos os amores serão intensos e eternos, todos os dinheiros serão acessíveis, todas as viagens serão possíveis, todos os amigos morrerão pela sua companhia, todas as casas serão com vista para o mar e um campo florido, todas as tardes serão lilás, todas as noites estarão à sua espera.
Tatá arregalou os olhos, me abraçou e nunca mais chorou pedindo a Deus uma vida com mais emoções. Sempre que ela comia quiabo ou assistia a algums desses programas dominicais com a família inteira roncando na sala, ela apenas se dizia em voz baixa: um dia nada será rotina, nada será chato, nada será morno, nada será banal. Um dia eu vou acontecer e o mundo estará aos meus pés.
Esse foi o jeito que eu arrumei, na época, de seguir em frente. Sim, as garotinhas bailarinas do recreio desfilavam enquanto ninguém olhava pra mim, as crianças normais praticavam esportes e nadavam no mar enquanto eu e meus óculos fugíamos de bolas e serenos, afinal, minha família sempre me fez acreditar que eu era mais frágil (e vai ver eu era…). 

Sim, as crianças normais do meu prédio se machucavam na quadra, tomavam chuva, pegavam doenças estranhas umas das outras (eu nunca tive um sarampinho na vida!) e vire e mexe subiam o elevador chorando e aprendendo a parar de chorar. Eu brincava o tempo todo no carpete da sala, sempre protegida de tudo e de todos, menos da minha cabecinha maluca que achava que o mundo todo era feliz e se divertia muito, menos eu.
Mas tudo bem, eu pensava, um dia vou nadar mais que todo mundo, praticar esportes mais que todo mundo, ir para a praia mais que todo mundo, ter mais amigos que todo mundo, ser mais bonita que todo mundo, mais rica, mais popular, mais amada, mais desejada, mais inteligente, mais incrível… tudo bem, é só eu ter paciência, um dia eu vou ser a melhor do mundo. 
Vinte anos depois aqui estou eu, mais meia boca do que nunca. Não sei mais se quero publicar um livro, será que essas linhas valem uma capa? Não sei mais se quero amar alguém, afinal, o amor é imperfeito e sempre me decepciona. Se com 27 anos não consegui ter o corpo das atrizes do Malhação, não vai ser com 37.
Eu não conquistei o mundo porra nenhuma, muito pelo contrário, eu não conquistei nem a minha cachorra, que prefere a empregada.
Não dei um jeito no rodamoinho do meu cabelo sempre sem jeito, não dei um jeito na minha canela fina, não dei um jeito na minha bunda de preguiçosa. Continuo fugindo de bolas, friagens, águas profundas e vírus. Tenho sim uma boa centena de amigos, mas só gosto, e de vez em quando tenho saco, para uns dois ou três.
Outro dia desses eu ganhei uma viagem para ficar num hotel mil estrelas com mil mordomias, mil festas e com vista para a Riviera Francesa. Adivinhem? Acordava triste todos os dias, afinal, não era bem a Riviera Francesa que eu tinha me prometido há 20 anos, era o mundo inteiro.
Não aguento nenhum emprego, afinal, todos são chatos. Não aguento nenhum namorado, afinal, nenhum é perfeito. Não aguento mais levantar da cama de manhã, afinal, nenhum dia é exatamente como eu gostaria que fosse. Não me aguento mais, afinal, eu não virei a mulher que eu queria.
Eu era uma fraude, um erro, eu não tinha dado certo. Minha vida era chata, meu dia era chato, as raras felicidades sempre acabavam ou se mostravam mentiras da minha cabeça. Quem ia me aturar assim, sempre insatisfeita? Eu própria não dava conta das minhas exigências e não me suportava mais. Tudo tinha dado errado, eu continuava me sentindo de outro planeta e, pra piorar, eu tinha mentido para a minha menininha, a única que eu prometi fazer feliz na vida.
Escolhi o vigésimo andar do prédio que eu trabalho e dalí fiquei olhando para a infinita escada vermelha. Estava decidida, fechei os olhos, levantei os pés, soltei a mão do corrimão, enclinei o corpo.
De repente, uma mãozinha pequena e gorducha agarrou na minha camisa e me puxou com uma força que eu jamais poderia acreditar que era dela. Estava escuro mas eu reconheci o rodamoinho na testa, as botinhas ortopédicas e os dentes cheios de aparelho. Foi então que ela me disse, ajeitando os óculos: ei, larga a mão de ser criança!

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

só queria

"Foi então que eu resolvi, já que não poderia ser a mais gostosa por uma questão de nascimento, nem a mais inteligente por uma questão de preguiça, ser a mais estranha e a mais engraçada. Hoje eu sou assim, estranha e engraçada. Falo besteira o dia todo, faço todo mundo rir, imito os outros, uso roupas estranhas, tenho estranhas constatações a respeito da vida. Faço caretas ridículas, posso deixar de ser fina num segundo se falar escatologias ou falar putarias for divertir uma mesa qualquer de amigos. Mas de verdade eu só queria que alguém falasse para mim: ei, você é bonita, para de se expor tanto, pode ficar quietinha, pode fechar o decote, pode parar com esse riso nervoso, tô reparando em você, você é bonita."

conclusão

você para de alimentar.
e espera...
um dia morre.

destrua


"Às vezes acho que no meu coração tem uma plaquinha escrita: 
entre, quebre tudo, e saia sem dizer adeus."

sem cabimento





"Ela faz cena, porque sabe que cabemos muito bem no mesmo andar, na mesma hora, no mesmo quarto, na mesma cama, mas nunca na mesma palavra: nós."

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

surpreendentemente

"Quando vejo, estou calada novamente,
ouvindo o que você não diz e vendo o que você não faz."

terça-feira, 2 de setembro de 2014

(sobre uma página de diário que dispensa leitura)

Você segue por caminhos  que não levam a mim e eu vejo nos seus olhos que seus pensamentos não são meus. Você me confunde todo dia, me bagunça e vai embora. Tenta fugir enquanto eu te observo andar em círculos. Eu não sou o que você quer e você imagina que não seja o que eu quero, sem perceber que eu gosto mesmo é dos seus defeitos.  

Fico aqui sabendo que não tem tranquilidade, mas eu tava cansada dos dias mornos. Que você tem o passado que eu não gostaria que tivesse só pra te ajudar a entender o meu. Que a gente não tem o mesmo gosto musical, que eu odeio a novela que você adora, que você é irritantemente desorganizado, reclama quando faço drama e abraço demais. Permaneço no lugar que nunca foi nem será meu só pra te colocar um apelido brega e dizer sem culpa o quanto você é lindo e insuportável (na mesma proporção). Mas a gente gosta de pizza, falar a verdade, discutir política e chocolate meio derretido. E eu gosto de cuidar de você.

Descombinando a cada 15 minutos, nos provamos todos os dias que pronomes possessivos não são pra todo mundo - em especial pra nós dois. Eu escreveria palavras de um futuro bom se pudéssemos ter um, mas não é amor e não chegará a ser. Mesmo assim, do nosso jeito torto, ainda bem que temos um ao outro.

Não era pra ser nada disso, nem mesmo parecido - mas é.


terça-feira, 26 de agosto de 2014

pecado capital

“ – É pecado sonhar?
– Não, Capitu. Nunca foi.
– Então por que essa divindade nos dá golpes tão fortes de realidade e parte nossos sonhos?
– Divindade não destrói sonhos, Capitu. Somos nós que ficamos esperando, ao invés de fazer acontecer.”

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Obrigada!

"E você aprende a recomeçar agradecendo por vitórias tão pequenininhas… Como quando é noite e antes de dormir você se enche de gratidão: 'Deus, obrigada porque é noite e eu tenho o sono… Que venha um sonho novo, então'."

identifique

"Enquanto algumas pessoas simplesmente ignoram a tua existência, outras imploram por tê-la. Talvez, viver seja isso."

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

que não se perca

"Fé. Essa entrega diante do desconhecido. Essa possibilidade de soltarmos o suposto controle que acreditamos ter. Esse sentimento de que fazemos parte de uma inteligência que tudo toca, ama e conhece."

domingo, 17 de agosto de 2014

não conte

"Que chegue logo um futuro que sei que virá, sabendo que nada mais depende de alguma ação minha. Só da minha habilidade em esperar. E isso me lembra que não há mais com quem contar, além do tempo."

escuta aqui


"Isso me incomoda. Ontem, eu premeditei seriamente em te dizer
“olha, senta aqui, não tá dando mais, acho que vou seguir um caminho 
diferente e mais fácil, não fala nada não, eu já me decidi”. Eu realmente
 me sinto culpada por pensar assim, às vezes, toda semana. Não sei se 
você concorda comigo, mas estar junto não é tão ruim assim.
 Então, fica sempre pra depois."

dela, só dela

"Ela tem um ar catastrófico, sensual e infeliz. Anda cabisbaixa e parece não saber direito onde pisar, para onde olhar, o que dizer."

como sempre


"Você disse a ele: entra, fica à vontade, não repara na bagunça.
 O rapaz olhou em volta, está tudo organizado, nos trinques, cheiro de lavanda.
 Mas você se referia à sua vida."

domingo, 13 de julho de 2014

sobre os últimos tempos

"Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa.
Acredito que essa moça, no fundo gosta dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva boias. E se ela se afogar, se recupera.
Estranho e que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é?
A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas?
A moça… ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar.
Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera?
E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará.
A moça – que não era Capitu, mas também têm olhos de ressaca – levanta e segue em frente.
Não por ser forte, e sim pelo contrário… Por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.”

segunda-feira, 16 de junho de 2014

e tá tudo bem


sigo crendo...

"Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas. Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas — se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário não será preciso. Essas coisas não pedem resposta nem ressonância alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha — e tenho — pra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim."

'cause I like the way it hurts

"– Sabe como eu sei que gosto mesmo de você?
– Hum? – Não tenho a resposta certa.
– Porque machuca. Mesmo quando tudo está bem"

sem querer


"Desisto. Eu acho, às vezes, que seria mais produtivo perseguir pombos em praça pública. Bem, eu só queria dizer que, apesar desse seu jeito todo iceberg de ser, eu te acho um rapaz incrível. Você é o melhor ser humano entre os piores que já conheci. Ou o pior entre os melhores. Não sei. Sei que eu inexplicavelmente estou na tua e você sabe disso."

domingo, 15 de junho de 2014

exausta


"Mas é que, sei lá. Isso tudo, todo esse medo do nada-acontecer ou do tudo-acontecer-rápido-demais tem me deixado cansada. Nada de mais."

quinta-feira, 12 de junho de 2014

beijos mil


"É, mas a vida passa, o tempo ensina que ninguém é insubstituível. Que tudo na vida é uma questão de ângulo de visão. E hoje eu digo: quem me perde, perde o luxo e o prazer de ter na vida alguém tão ilustre e único como eu. Só digo isso."

quinta-feira, 15 de maio de 2014

louca, louquinha

"Acho que em alguns dias a gente acorda meio louca. Não tem outra explicação. Dá uma saudade de coisas que já passaram, de coisas que nem vivemos direito, do que nem sabemos ao certo. E uma vontade de trocar de nome, de corpo, de cabelo, de profissão, de país, de vida."

domingo, 11 de maio de 2014

todo dia, toda hora

"Alice tinha olhos de presas e de predadora. Ambos funcionavam comigo.

Amei-a sob à meia luz da meia noite. Sem motivo algum aparente. Sem razão. Sem tempo para meu coração preparar um canto para ela. Alice gosta de bagunças e furacões. Não havia tempo – cedo ou tarde. O agora era o que nos movia rumo à outro agora. E eu fui.

Ousei hesitar. Mas desisti da desistência.

E o que mais me intrigava era ela saber, precisamente, de tudo que eu preciso. Possuía meu mapa e minhas coordenadas. Ou eu mesmo que me ajeitava para caber no seu norte. Não temos nada em comum. Não estava escrito que ficaríamos juntos. Mas sobre as escrituras, tem uma combinação de pensamentos: nenhum de nós nos importamos com elas."

sexta-feira, 9 de maio de 2014

do que nem o tempo resolve

"'Desculpa' é a palavra mais filha da puta que já inventaram. Como se com 8 letras fosse possível apagar as marcas que alguém deixou."

a-dor-me-ser


"Quando sua vontade de dormir não passa, mas o sono não vem. Quando só a cama te abraça, quando só os travesseiros confortam. Quando o escuro é o melhor abrigo. Quando a vontade de enxergar o mundo lá fora, se reduz. Quando você se depara com beirada da vida e não sabe se segue, se pula ou se senta e observa a paisagem."

reorganizando

"Nossa vida precisa mudar. Isso é inegável. Alguma coisa precisa se mexer, alguma coisa precisa se mover, alguém, que seja de preferência eu, precisa arrumar toda essa bagunça e começar, de fato, a buscar caminhos diferentes pra ser feliz. Já esperei demais pela vida, e ela, olha, ela nunca foi tão complacente comigo. Bateu, mas assoprou. Me fez rir, mas deixou cicatrizes."

passou voando

"E mais uma noite se vai, mais uma semana se alcança. Para mim, promessa de mudanças, como diversas outras segundas passadas. Depois de um tempo mergulhado em si, ou até quando os sonhos pedem, é preciso realinhar os ponteiros, achar o foco, e seguir. Seguir julgando ter feito a melhor escolha, seguir tendo o futuro como estrada, e o presente como bagagem. Levo no bolso apenas três-por-quatros do passado, pra não me deixar esquecer quem fui. Que me perdoem os menos corajosos, mas não se chega a lugar algum parado."

que o esforço pra lembrar...


"Assim, tentar esquecer é lembrar. E lembrar você dá raiva. Você é dono do meu melhor rancor."

quarta-feira, 30 de abril de 2014

por esse caminho

“Queria entender, eu juro. Queria não me doar tanto, não planejar demais. Sabe, eu menti pra você. Menti feio. E menti pra mim também, muito. Não deixei de planejar não. Não aderi ao estilo deixa-fluir-não-planeja-e-vive. Eu planejo, eu quero planejar, eu preciso saber que a certeza vai vir um dia. Desculpa decepcionar você. Mas eu planejo. Planejo alguns dias marcantes. Planejo dias comuns. E se você age de uma forma diferente dos planos, não se preocupe, sei lidar com os meus choques de realidade. Não quero que você seja perfeito e faça tudo certinho. Os meus planos não são certos, muito menos eu sou certa - isso você está careca de saber.”

tem dia que...

"Tem dias em que você quer um colo, mais nada. Porque de vez em quando tudo que a gente precisa é isso, se cercar de carinho e nada mais. Sem palavras, só presença física."

quinta-feira, 24 de abril de 2014

de outro jeito

"Não há como percorrer o caminho certo ou adequado, pois aquilo era novo, sem comparativos. Tudo bem, acreditei tantas vezes e minhas preces e anseios não vingaram, mas agora eram outras pessoas na história. Você, eu. Outro enredo, outra trilha."

se fosse o que não é



"Se dessa vez for amor, eu juro, não vou deixar o melhor pro fim."

ela/ele

"Ela é aquilo que ninguém vê. E tudo aquilo que ele gosta. No mesmo frasco, atrás do rótulo."

terça-feira, 22 de abril de 2014

neurótica

"E achava bom ficar triste. Não desesperada, pois isso nunca ficara já que era tão modesta e simples mas aquela coisa indefinível como se ela fosse romântica. Claro que era neurótica, não há sequer necessidade de dizer. Era uma neurose que a sustentava, meu Deus, pelo menos isso: muletas."

um perigo

"Mas não se esqueça: 'Assim como não se deve misturar bebidas, misturar pessoas também pode dar ressaca.' "

autenticidade


"Sou demais. Ninguém entende nada. E eles adoram uma sonsa. Adoram. Mas dane-se."

complicações


"E ele dizendo o quanto queria me ver de novo. Mas a vida é complicada. E eu dizendo o quanto queria que ele realmente quisesse me ver de novo. 
Mas ele é complicado."

explosões

"Era isso que eu queria: reações. Agora sim ela parece a minha garota. Bufando, me mandando ir embora, chorando de amor e ódio, cheia de ciúme, vibrando, pulsando, me jogando coisas, as sobrancelhas circunflexas, aquela veiazinha saltando nas têmporas. Enfim, é assim que eu gosto de vê-la: sentindo. Hoje é ira e desprezo. Amanhã é paixão e carinho. Quem é capaz de explodir de raiva, também é capaz de explodir de amor."

solta...


"Eu quero ir embora. Solta meu braço. Me deixa passar.
— Já deixei uma penca de amores passar. Não pretendo fazer o mesmo contigo.
— Eu não sou seu amor. Nem nunca vou ser. Larga meu braço.
— Há controvérsias, mas tudo bem. Pode ir. Vamos ver até onde você vai antes entrar nesse mesmo prédio, subir as escadas até o mesmo andar, bater na mesma porta.
— Não conte com isso. Não cultive grandes esperanças. Eu quero andar com os pés no chão. Numa areia que não me queime os pés. Cansei dessa vida movediça. Chega de romance de prosa e verso. Você é muito denso, muito profundo. Eu preciso de um homem de verdade.
— Tudo bem. Pronto, já te soltei, a porta está aberta. Vai. Pode ir. Anda. Vá atrás do seu homem de verdade. Amores de plástico te esperam. 

Sorte, garota."

e daí, né?


por que eu?


"Pega no meu queixo e diz que não sou só eu que sinto medo aqui. 
Faça alguma coisa ruim (...)"

trancos e barrancos

"Tanto caí nessa vida que hoje em dia nem noto o som das minhas costas baqueando contra o chão. E mesmo correndo o risco de perder qualquer pessoa na qual valha a pena investir esforços para ficar ao lado, acho mesmo que preciso abortar a missão de um relacionamento sério e retornar sorrindo ao estágio estoico da minha vida, até tudo normalizar, no sentido original da palavra."

quinta-feira, 10 de abril de 2014

obscura

"Ninguém nunca soube do meu medo de nadar em lugares muito profundos, de amar demais, de se perder um pouco de tanto amar, de não ser boa o suficiente. Ninguém nunca viu meu corpo de verdade, minha alma de verdade, meu prazer de verdade, meu choro baixinho embaixo da coberta com medo de não ser bonita e inteligente."

aahh

"Mulher prefere a estranheza. A estranheza é masculinidade. Ter algo fora do padrão seduz, intriga, é um convite para o inesperado."

sábado, 22 de março de 2014

sem mais

"É extremamente complicado viver todos os dias tentando agradar a imagens minhas pintadas por outras pessoas. É extremamente desgastante ter que atuar em papeis criados para mim sem o meu consentimento. É extremamente irritante ver que por mais força para ser sincero, verdadeiro, ou talvez, por mais esforços que você faça para construir uma imagem que condiga com o seu ser real, ela seja deturpada. Seja má interpretada." 

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Os Estatutos do Homem


Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.

igualzinha

"A vida é sempre a mesma para todos: rede de ilusões e desenganos. O quadro é único, a moldura é que é diferente."

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

pra hoje

"Cansei. Hoje eu queria abrir a porta da rua do meu corpo e ir embora. Assim, sem mala, sem cuia, sem nada. Sem olhar pra trás, batendo com as solas dos sapatos para não levar nem poeira.

Hoje eu não queria mais a minha história, nem as minhas meias verdades, as mentiras inteiras, as dolorosas fantasias e os sonhos não realizados. Hoje eu queria dormir na estrada e acordar na chegada. Chegada numa morada nova, onde haja, sobretudo, felicidade.

Queria estar num lugar onde ser eu não pese meus ombros. Onde ter vontades não custe lágrimas. Onde acreditar não seja moeda de troca pro meu coração. Hoje eu queria dormir e acordar um eu inteiro. Sem precisar de metade. Cheio. Redondo. Completo. Tchau."

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Hazel


inquestionável

“Você sabe que tentar me manter a distância não vai diminuir o que eu sinto por você.”

brilho eterno de uma mente sem lembranças

"Abençoados os que esquecem, porque aproveitam até mesmo seus equívocos"

só gosto

"E gosto das tuas histórias. E gosto da tua pessoa. Dá um certo trabalho decodificar todas as emoções contraditórias, confusas, soma-las, diminui-las e tirar essa síntese numa palavra só, esta: gosto."

presta atenção...


"Mas um dia eu posso te encontrar, então se liga. 
O mundo é grande mas olhando de cima é uma ilha."


o.k.



“Você está tão ocupada sendo você mesma que não faz ideia 
de quão absolutamente sem igual você é.”

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

É.

"Antes de qualquer meia palavra trocada, quero deixar claro uma coisa entre nós: eu não confio em você. E se fosse você, também não teria lá toda essa confiança em mim. Em algum momento, com toda certeza, um de nós vai acabar se queimando se mexer com fogo."

domingo, 5 de janeiro de 2014

à sua maneira

"E eu me pergunto: você vai ficar porque está chovendo, ou está chovendo porque você vai ficar? Tanto faz. Se eu bem te conheço, basta me despedir usando a tática do me-liga-qualquer-coisa. Foi assim, desse jeito, que até hoje nenhum dos seus adeus durou para sempre."

necessárias


sobre esta tarde e a melhor amiga

"Novas pessoas surgirão  sim; garotas lindas, inteligentes e que fariam tudo por você. Mas o problema de amores mal resolvidos é que eles nunca vão te deixar em paz. E se? Essa pergunta nunca vai sair da sua mente e você provavelmente nunca vai saber a resposta."



peculiar

"Meu coração é feito de vidro. Ora se quebra. Ora te corta."

ou não.